
Foi bonito demais. De entre todos os que já vivi, este foi o menos complicado, o mais bem pensado e - dizem os que sentem - o mais encantador.O Cool Jazz Fest não vai ser sempre no Parque Marechal Carmona, mas ontem foi. E o que foi - que há-de ter um nome que ainda está para ser inventado - nasceu do meio da noite, abraçado por árvores, no crepúsculo do acolhimento. Fez-se subir uma cadeirita iluminada por pirilampos, chamada palco. Em cima, os músicos. Perto, o público. Sem barreiras, sem confusão, com a falta de regras do que é bom. Em comunhão com a noite, ouviu-se Eliana Elias e o improviso de músicos que acompanharam Stan Getz e Bill Evans. A ternura na voz dela não fez confusão ao frio e ao vento e convivemos, todos, numa compaixão sonora sem igual. Atrás de mim, Maria João, comovida. Arrepiada do frio e da música, a deixar-se trautear a "coisa mais linda, mais cheia de graça" que estava a ver. Embalamos, todos, com a ginástica serena que Eliane põe nos clássicos de Vinicius, Bob Marley e George Gershiwn.
Fica o grito do encantamento a fazer contraste à desilusão. Não deve haver festival mais feio que o Optimus Alive. A organização tenta gritar que é no Parque Marítimo de Algés, que fica perto do rio, que até tem Placebo e Dave Mathews Band, que até é bom e que até leva gente. Trocado por miúdos é feio, impessoal, lotado, plastificado e fraco. A acústica não é incrível, a vida da gente que se passeia é frustrada e desgastada. É um fiasco. Sem som, seria um filme mau.
Como diria quem percebe de vida como percebe de música, o Alive é música pimba e o Cool Jazz Fest é bossa nova. É uma questão de opção. Entre a A e a B, eu escolho, deliberadamente, a B. Para a vida.
Fica o grito do encantamento a fazer contraste à desilusão. Não deve haver festival mais feio que o Optimus Alive. A organização tenta gritar que é no Parque Marítimo de Algés, que fica perto do rio, que até tem Placebo e Dave Mathews Band, que até é bom e que até leva gente. Trocado por miúdos é feio, impessoal, lotado, plastificado e fraco. A acústica não é incrível, a vida da gente que se passeia é frustrada e desgastada. É um fiasco. Sem som, seria um filme mau.
Como diria quem percebe de vida como percebe de música, o Alive é música pimba e o Cool Jazz Fest é bossa nova. É uma questão de opção. Entre a A e a B, eu escolho, deliberadamente, a B. Para a vida.


