Wednesday, May 20, 2009
Crónica de um sonho de farinha e ovos
sonho (ô)
s. m.
1. Conjunto de ideias e de imagens que se apresentam ao espírito durante o sono.
2. Fig. Utopia; imaginação sem fundamento; fantasia; devaneio; ilusão; felicidade; que dura pouco; esperanças vãs; ideias quiméricas.
3. Bolo muito fofo, de farinha e ovos, frito em azeite ou manteiga e passado por calda de açúcar.
Acordei com a mão dele nas minhas costas.
Nas horas em que dormi, conversámos muito pouco, mas conversámos.
Fez-se lembrar, confirmou que está bem, no meio de gente que nunca viu, ainda que o conheçam pouco de vista, mas muito de fala.
Este poder dos sonhos nos fazerem recordar a vida é, por si, estranho. Os sentidos, com capacidade de entranhar sonhos, transcendem-me de todas as vezes. A mão tinha textura de dedos, e a falta de palavras tinha contornos de silêncio. Reais. Mas sonhados. Ficcionados, com os cheiros das memórias, e com capacidade de marcar a manhã que nasce ao ponto de deixar um sorriso em tons de conforto.
E isto não é para escrever bonito nem para soar piroso.
Isto é bonito porque nem escrito é real. Se calhar, sonhei. Ou, se calhar, não passa de um bolo muito fofo, de farinha e ovos, frito em azeite ou manteiga e passado por calda de açúcar, com textura de mão.
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