Sunday, May 31, 2009
Improvisos, para que vos quero
"A menina mais bonita das capas dos cds, não é que canta bem?", frase que saltou - séria! - da boca de um vizinho de escolhas, desconhecido, num corredor da Fnac, como se saída de um schetch se tratasse.
"De tudo o que é"
de tudo o que é from ricfortune on Vimeo.
As grandes revelações vêm do silêncio da modéstia. De tudo o que ele é - e não diz que é - isto é só um pedaço.
Parabéns, Pedro Brandão Sintra.
Um orgulho, André Monteiro!
Friday, May 29, 2009
Tofu de Mimo
Tuesday, May 26, 2009
The build-up do Amor

Caro leitor que te passeias por estas linhas em busca de algo sério,
Pois, vai-te, antes que o arrependimento cante.
A idade aqui já pesa e a loucura instala-se nas Banalidades que descobriram a música que canta o amor. O acto de "fazer amor" (se é que de um acto de trata, palavra burocrática que dói para tanto encantamento) foi uma vez escrito e interpretado pelos Kings of Convenience. Juntaram à mistura a Feist e a plenitude fechou-se. O encaixe, para lá de físico, é ergonómico nas sensações.
Pois, vai-te, antes que o arrependimento cante.
A idade aqui já pesa e a loucura instala-se nas Banalidades que descobriram a música que canta o amor. O acto de "fazer amor" (se é que de um acto de trata, palavra burocrática que dói para tanto encantamento) foi uma vez escrito e interpretado pelos Kings of Convenience. Juntaram à mistura a Feist e a plenitude fechou-se. O encaixe, para lá de físico, é ergonómico nas sensações.
The Build-Up é uma música de uma acção-reacção profundamente sentimental. Na versão original (para ouvir aqui, porque a ver é em baixo) a cadência da banda acompanha a reacção sensorial que Feist vai dando à voz e (consta-se que!) a música tem variações de intensidade e de prazer, para culminar numa coisa muito bonita, que dizem que se chama amor.
Leitor que se foi, livre de chamar a isto loucura. Mas haverá dias em que a insanidade poderá ser bem mais que um acto burocrático.
Leitor que se foi, livre de chamar a isto loucura. Mas haverá dias em que a insanidade poderá ser bem mais que um acto burocrático.
Saturday, May 23, 2009
Saudosa Maloca

O reencontro de amigos de verdade em "Iracema" (que bem que se podia chamar Casa da Horta) resulta num "Samba no Bexiga" algures na "Saudosa Maloca".
E o "poema" que melhor é capaz de contar nostalgia profunda é uma mesa, como a nossa, que bem que podia ser esta.
Para sempre a mesa do canto. Em Iracema, seja lá onde isso fôr.
E o "poema" que melhor é capaz de contar nostalgia profunda é uma mesa, como a nossa, que bem que podia ser esta.
Para sempre a mesa do canto. Em Iracema, seja lá onde isso fôr.
Friday, May 22, 2009
This song is for tomorrow
E, finalmente, o vídeo.
Como é bom vê-los a ficar enormes em passinhos de lã.
Thursday, May 21, 2009
Manifesto Anti-Óbvio
Eis que aqui me levanto e grito (como no topo de um púlpito!) o fim da marcação, do horário, da regra, do imposto, do previsível e do óbvio. E não ergo a minha voz ao trabalho, nem às tarefas (qual mundo utópico e anárquico seria!). Devia ser abolido, tudo isto, sim, na cabeça e nas emoções dos seres humanos, porque o mundo devia ter rasgos de criatividade dia sim, dia sim.
E todos os fins-de-semana deviam ser uma pocket party.
Pim!
E todos os fins-de-semana deviam ser uma pocket party.
Pim!
POCKET PARTY #03 _ PATRICK WATSON from vincent moon / temporary areas on Vimeo.
Wednesday, May 20, 2009
Crónica de um sonho de farinha e ovos
sonho (ô)
s. m.
1. Conjunto de ideias e de imagens que se apresentam ao espírito durante o sono.
2. Fig. Utopia; imaginação sem fundamento; fantasia; devaneio; ilusão; felicidade; que dura pouco; esperanças vãs; ideias quiméricas.
3. Bolo muito fofo, de farinha e ovos, frito em azeite ou manteiga e passado por calda de açúcar.
Acordei com a mão dele nas minhas costas.
Nas horas em que dormi, conversámos muito pouco, mas conversámos.
Fez-se lembrar, confirmou que está bem, no meio de gente que nunca viu, ainda que o conheçam pouco de vista, mas muito de fala.
Este poder dos sonhos nos fazerem recordar a vida é, por si, estranho. Os sentidos, com capacidade de entranhar sonhos, transcendem-me de todas as vezes. A mão tinha textura de dedos, e a falta de palavras tinha contornos de silêncio. Reais. Mas sonhados. Ficcionados, com os cheiros das memórias, e com capacidade de marcar a manhã que nasce ao ponto de deixar um sorriso em tons de conforto.
E isto não é para escrever bonito nem para soar piroso.
Isto é bonito porque nem escrito é real. Se calhar, sonhei. Ou, se calhar, não passa de um bolo muito fofo, de farinha e ovos, frito em azeite ou manteiga e passado por calda de açúcar, com textura de mão.
Tuesday, May 19, 2009
#97 Patrick Watson / Part 1 - A Take Away Show from La Blogotheque on Vimeo.
Os frames que me comovem os dias.
Tuesday, May 12, 2009
Na sombra da aba
Não chega ao tornozelo esquerdo de "Gran Torino" (em classe de cinema), mas o filme é bom. "A Troca", para lá do drama verídico, é (outra vez, pelas mãos de Clint Eastwood) um retrato dos tempos.
Mas para lá do tempo que narra, o que emociona realmente é o "desenho" de uma mulher que consegue ser sofrida, leve e bonita ao mesmo tempo. Angelina Jolie encarna a personagem mais encantadora, singela (qual timidez defendida pela aba do chapéu) e feminina deste ano de cinema.
Venha o louvor para a fotografia e para o incrível guarda-roupa. E bendito o timing dos acontecimentos, bem hajam os bucólicos anos 20.
Monday, May 11, 2009
Antes que se faça noite
Saiba pois, caro leitor que me corre as linhas, que na noite em a felicidade saltou das letras miudinhas de um rótulo de Vidigueira, o Gervásio procurava incessantemente a sua Joana. Fazia-o, à velocidade dos bens pouco materiais, na cidade imaginária composta de livrarias do filme You've Got a Message (que bem podia ser antes um mail). Eis senão quando, o Frederico (das flores), o arquitecto, pediu calma aos saltos desenfreados da visita e a visita, qual donzela, respondeu com pés de vassoura.
Desenganem-se, neste segundo, os que pensam que as paredes não têm ouvidos porque, diz-se - e confere - que em Campolide as paredes dançam Kings of Convenience, como que encontrando ritmo no calmo.
E por aqui me fico, porque linhas não as tenho sempre. Vou-me, antes que o meu carro morra, porque a vida do volante que desenho depende da fotossíntese. Imponha-se que fuja, pois, antes que se faça noite.
Desenganem-se, neste segundo, os que pensam que as paredes não têm ouvidos porque, diz-se - e confere - que em Campolide as paredes dançam Kings of Convenience, como que encontrando ritmo no calmo.
E por aqui me fico, porque linhas não as tenho sempre. Vou-me, antes que o meu carro morra, porque a vida do volante que desenho depende da fotossíntese. Imponha-se que fuja, pois, antes que se faça noite.
Wednesday, May 06, 2009
Call me

O poder da música se recuperar a ela própria das cinzas é imenso.
E surpreendente, em (quase) todas as vezes.
E surpreendente, em (quase) todas as vezes.
Call Me feat Skye - Hollywood, Mon Amour
Sunday, May 03, 2009
Parêntesis pouco rectos

Por trás da expressão impenetrável de Walt Kowalski (interpretado por Clint Eastwood) há três coisas (que de coisas têm pouco): afecto, rancor e uma tristeza cavada. A última, de tão vincada, desenha-lhe a expressão pesada e desiludida - com as pessoas e com a vida - e traça-lhe a personalidade difícil. O rancor (misturado com o afecto) confere-lhe a inteligência e perspicácia de quem foi abanado pela vida, mas, ainda assim, segue esperançado nela. E disto se faz "Gran Torino": de inteligência, de bondade e de moral.
Todo o filme (realizado pelo próprio Clint Eastwood) podiam ser crónicas (porque do argumento nada se deita fora em palavras), altamente satíricas, de um mundo dominado por interesses. No meio de tanta perversidade e puritanismo parvo - eis senão quando! - a vida ganha bondade e sentido na porta ao lado. Grand Torino não é mais que um sinal de esperança (palavra de um alento que aqui chega a ser verosímil) por entre ritmos de vida profundamente descrentes e egoístas.
A isto some-se que um não pode ser sempre o maior sim do mundo. É preciso é saber ler nas entrelinhas, e aqui, de volta às crónicas, Clint Eastwood desenha os melhores parêntesis do cinema americano. Parêntesis de um bom senso e de uma sensibilidade tremendos, feitos de planos, de silêncios e de personagens singulares, pacatas e pouco óbvias.
Quem não gostar, pois que compre um clássico da Ford em miniatura e que se interne num lar.
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