Tuesday, June 30, 2009

Balada do Louco



Sejamos todos loucos com esta intensidade que a doidice agradece a extravagância, a imprudência, a alienação e o disparate.

Loucura
1. Alienação mental.
2. Insensatez; imprudência.
3. Extravagância.
4. Doidice, acto irreflectido.

Thursday, June 25, 2009

Clube da Esquina



De olhos fechados, ele fala-nos ao ouvido de verdade.

Monday, June 22, 2009

Down on My Knees


O calor transpira ritmo. Quem não tem - o ritmo, porque o calor, esse, transpira-se sempre - passa a ter, porque o sol bate e a pele ressaca de sal e areia e a emoção vibra. Sente. Depois, há inputs para a pele. Há churrasco, há carlsberg e há amor.

Há Ayo, Down on My Knees. E o sorriso, comum, é este.

Wednesday, June 17, 2009

Carta Branca



Quando o vento bate num campo de girassóis, os girassóis dançam todos para o mesmo lado. É o baile mais bonito de todos porque nas entranhas dos girassóis não há vácuo nem barulho, há silêncio. Existe, diga-se, o murmúrio do movimento, que consegue ser tão suave quanto perfeito. O vento, que tem dias em que se ouve, consegue ser barulho que não incomoda, e tudo isto é espectáculo para ser comprado, a ver do balcão lateral.

Foi no número dez que estivemos. Ao lado direito do palco. A vista aérea, que só os sonhos projectam, permitiu-nos ver que a Orquestra Metropolitana de Lisboa era o campo de girassóis mais bem abanado pelo vento. O vento, esse, chamava-se Camané. Ouvia-se - e ouvia-se bem - mas roçava a perfeição do silêncio, qual ruído que não incomoda. Depois havia a luz. O sol que se abateu sobre o nosso campo de girassóis chamava-se Mário Laginha, presença encoberta pela timidez de pé engessado e expressão manca. Houve, como sempre há, momentos de vento forte. Vento vaidoso, diria quem percebe. Mas o conjunto foi a Carta Branca que a vaidade precisa. E foi tão bonito quanto este silêncio pesado é. Que nem eu sei de onde é que vem.

06 Este Silêncio.wma - Camané

Monday, June 15, 2009

Átomos de Felicidade

- Foste feliz?
- Fui.
- Senti forte e senti próximo.
- Pois foi.
- Disseste?
- Não.
- Porquê?
- Porque dizer não se pode.
- Não podemos.
- Mas sabemos.
- Pois sabemos. Sabemos que vai ser sempre assim...
- ...de todas as vezes que a vida nos cruzar.

Sunday, June 07, 2009

Itapuã...



...é o caminho.

Thursday, June 04, 2009

La Blogotheque

Vincent Moon


Conhecer o talento de Vincent Moon é, por si, uma comoção. Aqui, condensado, é uma relíquia rara.

Explorar esta blogoteca leva horas. Saboreá-la é prazer que não empanturra. É entretenimento de sensações que dispensa televisões por cabo, jantares caros em sítios chiques, roupas de marca, volumes de livros ou filmes incríveis.

Este link é o prazer de uma vida que, a ser, pois que seja em planos destes, os de Vincent Moon.




"And although i've never been here
Although i've never been here
I know that here i've swam before
Here i've swam before

And soon i came
Oh so soon i came
Soon i came
Oh so soon i came
Soon i came to the silent place of choir voices"

Tuesday, June 02, 2009

Morte que mataste Lira



Adriano Correia de Oliveira - e a música que dele esquecemos, ou não queremos lembrar - é a perda que me consome. Esta é, aliás, a música que esgota o que de mais dele há em mim para ser consumido.

Mas deixemo-nos de saudosismos, país do fado e da palavra mística que não tem igual noutras línguas. Deixemo-nos, pois. Centremo-nos no presente, o que será que o passado diz de nós para lá de tudo? Nada, realmente. Venha Uxía, do alto do seu galego, fazer jus ao que, por cá, um dia se escreveu e compôs. Venha o vídeo, do igualmente galego Mario Iglesias, que é na realidade, profundamente português. Vídeo que de saudade tem pouco mas que transborda vincos do passado que nos desenham hoje e que cheira a mofo quando deve cheirar.

"Morte que mataste lira" não nos condenes a nós. "A morte a mim não me mata Firme e constante sou eu". Ou deveriamos ser.